PERGUNTA –  O dom de falar em línguas estranhas ainda existe?

RESPOSTA CRISTà– A resposta a esta pergunta é muito delicada. Irmãos zelosos de linha mais histórica acreditam que não, pois segundo eles esse dom e outros cessaram com a morte do último apóstolo, João. Segundo eles, 1 Coríntios 13:8-10 afirma a cessação desse dom quando o que é completo viesse, ou seja, a revelação total das Escrituras Sagradas. Alegam ainda que apenas sob a imposição de mãos dos apóstolos esses dons eram distribuídos. (Atos 8:18) Como não há apóstolos vivos hoje, então esse dom cessou. Outros irmãos também de linha tradicional argumentam que como dom o falar em línguas estranhas já cessou, mas Deus poderia em manifestações isoladas da Soberania de Deus conceder, não como dom, a oportunidade em casos especiais de um irmão falar em línguas, para fins específicos. Outros de linha também histórica irão concordar com este último ponto de vista, mas não aceitarão que sejam línguas angelicais, mas precisam ser necessariamente línguas já faladas ou faladas aqui na terra. Em contrapartida,  os irmãos de linhas pentecostal e neopentecostal afirmam que os dons de maravilhas são para os nossos dias, pois a Bíblia relata o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes (Atos 2) como sendo promessa dada não apenas àquela geração, mas aos filhos dela e para os que estão longe, bem como a quantos o Senhor quiser chamar. (Atos 2:39) E outros, ainda pentecostais e neopentecostais irmão ensinar a não cessação deste dom, mas desde que sejam línguas faladas aqui na terra.

Um desses pontos acima, eu defendo. Se Deus move, pelo seu Espírito, alguém a falar em línguas, este deverá estar caminhando na fé de forma exemplar. Não admito que, por exemplo, um adúltero se aproxime de mim falando em línguas. Simplesmente, não acredito que seja de Deus tal falar em línguas. Aquele que acredita nesse dom maravilhoso deveria se preocupar mais ainda com a santidade, pois sendo este dom do Espírito Santo, significa que Ele espera de nós santidade. E antes que me interpelem com a frase “mas Deus usa quem ele quer; ele usou até uma mula para falar com Balaão”, eu afirmo com toda a certeza: “A mula não estava em adultério”. Afinal, se o Espírito de Deus é santo, e nós temos que ser santos em todo nosso procedimento assim como Deus é santo (1 Pedro 1:15, 16), espera-se no mínimo dos falantes em línguas estranhas uma vida santa diante de Deus.

Quanto a se existe ou não, defendo que Deus pode sim, por ser Todo-Poderoso, mover pessoas a falar em línguas faladas aqui na terra. É a minha visão. Não tente argumentar que no céu se fala em língua de anjos, então, quem fala em línguas de anjos não pode estar falando em línguas humanas. Isto seria um erro absurdo! Visto que os dons são para variedades de línguas também (1 Coríntios 12:10), só me faltava Deus ter confundido a língua dos anjos no céu! Como isso nunca ocorreu e, quero crer, lá só haja uma língua, quando Paulo menciona “ainda que eu falasse na língua […] dos anjos” (1 Coríntios 13:1), ele está querendo dizer, conforme o contexto: “Ainda que pudesse acontecer o impossível comigo – falar a língua dos anjos, conhecesse todos os mistérios, tivesse todo o conhecimento, tivesse fé para mover montanhas, se eu tivesse não tivesse amor, de nada valeria.” – 1 Coríntios 13:1, 2.

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PERGUNTA – O Espírito Santo de Deus é uma pessoa ou o poder de Deus em ação?

RESPOSTA – O Espírito Santo é um ser pessoal, o qual manifesta o poder de Deus na criação (Gênesis 1:2; Salmos 104:30) e aos crentes. Por isso a Bíblia usa a expressão “poder do Espírito Santo”. (Romanos 15:13, 19) Da mesma forma como Jesus é o poder de Deus (1 Coríntios 1:24) e é um ser pessoal que manifestou o poder de Deus, assim também ocorre com o Espírito Santo. Por isso Jesus prometeu: “Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo”. (Atos 1:8) Sendo assim, receber o poder do Espírito é ficar cheio de Espírito Santo. (Atos 2:4) Ademais, quando Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, afirmou que Este falaria não de sua própria iniciativa, mas do que tivesse ouvido. (João 16:13, 14) Somente um ser pessoal pode falar do que ouve. Na Trindade, de fato, é o Pai quem diz ao Espírito Santo o que será revelado e ensinado ao homem.

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PERGUNTA – Como o Espírito Santo pode ser uma pessoa se a palavra grega para “espírito” (pneuma) é do gênero neutro, o mesmo ocorrendo em Atos 2:33, onde o espírito santo é chamado no grego de “isso”, no gênero neutro?

RESPOSTA CRISTà– Gêneros masculino, feminino e neutro não provam nada quanto à pessoalidade ou não de um substantivo, nem quanto ao sexo de um ser pessoal. Por exemplo, em Mateus 2:9 diz-se que a “estrela parou sobre o lugar onde estava o menino” Jesus. A palavra grega para “menino” é “paidíon”, e é do gênero neutro. Concluiria você que Jesus não era uma pessoa? Em João 4:24, lemos que Deus é espírito (gênero neutro). Então, Deus seria impessoal? Uma coisa? Óbvio que não! Em 1 João 4:8, lemos que “Deus é amor”. Amor em grego (ágape) é do gênero feminino. Então Deus é uma mulher? Também não! No caso de Atos 2:33, “isso” se refere ao Espírito Santo por uma mera questão gramatical, pois deve concordar em gênero com o substantivo neutro “Espírito”. Mas como vimos, usar gênero neutro não prova nada. A razão por crermos no Espírito Santo como ser pessoal é muito mais teológica do que gramatical.