JORNAL DA FÉ NUMERO 7

JORNAL DA FÉ NUMERO 7

23 de junho de 2020 Pr. Fernando Galli 0

ONISCIÊNCIA E ENCARNAÇÃO

Quais são todas as coisas que Cristo sabe? Ao mesmo tempo que em passagens como João 21:17 lemos que Jesus “sabe todas as coisas”, outras passagens dizem que existem coisas que ele não sabe? — Mateus 24:36; Marcos 13:32.

COMO EXPLICAR?

Esse tipo de dúvida acaba ao estudarmos Cristologia, matéria que nos expõe o fato de Cristo ser uma pessoa que possui duas naturezas (divina e humana). Partindo desse pressuposto, entende-se que as coisas que Jesus sabe [Divinamente] são de fato todas, sem exceção. Nota-se isso por passagens como na carta aos Colossenses 2:3, onde lemos:

“Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”.

Não se pode pensar que não haja totalidade onde se contém o todo, isso seria contraditório. Em João 21:17 nos é apresentado um exemplo dos aspectos do conhecimento de Cristo, onde se é ratificado que o seu “saber” não é apenas uma questão de intuição divina, de conhecimento absoluto (gr. eidō) sobre o homem (Ex 3:7; Pv 15:11), mas o conhecimento de Jesus também se basea no relacionamento pessoal (gr. ginosko) vivido com ele (1Jo 3:20), no caso, Pedro — algo que só compete a Deus (1Rs 8:39; Ap 2:23).

Se o Verbo é Deus e Deus não pode ser imperfeito no cognitivo, logo, Ele sabe tudo quanto é possível saber, assim sendo, Ele é onisciente. Entretanto, (retorquindo ao argumento utilizando Mateus 24:36 e Marcos 13:32), é oportuno considerarmos que na encarnação — pelo menos durante seu estado de humilhação —, o Verbo permitiu que fizessem parte da consciência ativa de Cristo apenas as facetas de sua pessoa compatíveis com a experiência humana típica, enquanto a parte principal de seu conhecimento e outras perfeições cognitivas, permaneceram submersos em seu subconsciente. Sugerimos que o que William James (1842-1910) chamou “eu subliminar” é o lócus primário dos elementos supra-humanos na consciência do Verbo encarnado .

Essa compreensão da experiência pessoal de Cristo leva ao entendimento de uma psicologia profunda de existir muito mais em uma pessoa do que uma consciência ativa. Todo o projeto da psicanálise está baseado na convicção de que alguns de nossos comportamentos possuem fontes profundas de ação das quais somos apenas parcialmente conscientes. Distúrbios de múltiplas personalidades fornecem um exemplo particularmente surpreendente da erupção das facetas subliminares da mente de uma única pessoa em diferentes personalidades conscientes. Em alguns casos, existe até mesmo uma personalidade dominante consciente de todas as outras e que sabe o que cada uma delas sabe, mas permanece desconhecida por aquelas.

Cientificamente há uma grande quantidade de intrigantes analogias nas quais existem relações assimétricas de acessos entre um subsistema e um sistema abrangente tal que o sistema de maior hierarquia pode acessar informações adquiridas por meio dos subsistemas, mas não o contrário. Possivelmente a mente consciente de Jesus de Nazaré seja concebida como um subsistema de uma mente mais ampla, que é a mente do Verbo.

Tal compreensão da consciência do Verbo está presente na tradição de teólogos reformados como Zuínglio, que afirmava que o Verbo continuava a funcionar fora do corpo de Jesus de Nazaré. Idem, os aspectos divinos da personalidade de Jesus foram amplamente subliminares durante seu estado de humilhação. Desse modo, Jesus possuiu uma experiência de consciência humana normal, mas sua consciência humana foi apoiada por uma sobreconsciência Divina.

É provável que podemos (normalmente!) trazer à consciência o que sabemos, se assim o desejarmos. Se Cristo é maximamente excelente no cognitivo, então ele também deve ter a capacidade de trazer à consciência o que ele sabe, mesmo que durante a sua jornada terrena ele voluntariamente se absteve de acessar o subliminar divino. Cristo pôde ter retirado de seu conhecimento subliminar, se ele tivesse escolhido fazê-lo, mas ele se absteve de fazê-lo, tendo assim uma consciência humana autêntica, ocasionalmente se expressando como homem, humilhando-se a si mesmo, obedecendo o que o Pai ordenara resignado ao propósito redentivo (ver Jo 3:11; 12:49).

Elucida-se isso mais expressamente em função do Verbo ter-se feito “servo” (Fp 2:7), afirmando certa feita que “o servo não sabe o que faz o seu senhor”  (ver Jo 15:15; Mt 20:28; Luc 22:27). A verdade de que na encarnação a onisciência de Cristo existiu dentro de seu subconsciente, não implica que naquela época houvesse coisas que ele não conhecia. Isso implica que havia coisas das quais ele não estava consciente, e isso é muito diferente. Eu não estou agora consciente da tabela de multiplicação até doze, mas eu sei disso.

Após a glorificação de Sua humanidade foi manifesta mais explicitamente tamanha Divindade e saber, de tal maneira que lemos declarações como a de Pedro, que possivelmente faz alusão a Seu conhecimento concernente foro íntimo de todos os homens (leia Jo.2:24,25).

“O conhecimento que Jesus tinha dos homens era absoluto e solidário em virtude da encarnação. Ele conhecia os homens, de fato, com o conhecimento de Deus. Presumivelmente ele viu as imperfeições da fé que eles professavam” (F. F. Bruce – comentário NVI).

Não como antes de sua ressurreição (conferir João 16:30) onde tendo alcançado um vislumbre de tal onisciência os discípulos entusiasmados expressavam sua satisfação, como se estivessem contentes de entender algo de Suas palavras. Quão pateticamente manifesta isto tanto a simplicidade de seus corações como o caráter infantil de sua fé, não tendo compreendido ainda que estavam diante não apenas do “Filho de Deus”, o Nazareno, mas do próprio Deus deles (como reconhecido mais adiante., cf. Jo. 20:28), O qual “os comprou com Seu próprio sangue” [mediante encarnação] (Atos 20:28). Doravante, quanto ao entendimento dos apóstolos — pós ressurreição messiânica — no tocante a onisciência de Cristo, também nos é recomendado como paradigma (como exemplo) a passagem de Atos 1:24,25, onde o Dr. Lucas nos trás um episódio axiomático sobre o assunto:

“E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar.”

Inspiradamente Lucas escreve em outro lugar: “Deus, que conhece o coração” (15:8). Claramente o contexto de Atos 1 demonstra que Pedro se refere ao Senhor Jesus (v. 21).

Além disso, o verbo “elegeste” (v.24) aparece no v. 2 onde Jesus é o sujeito. Os apóstolos formulam e aplicam as qualificações para os dois homens, mas o Senhor conhece o coração deles e elege o sucessor para assumir o ministério apostólico no lugar de Judas Iscariotes (Lc. 6:13). Jesus é aqui referido como Senhor. De fato, e isso não é contrário ao uso neotestamentário, conforme se vê, por exemplo, em Atos 2:21; 7:59, 60; 9:14; 22:16 e Apo. 22:20. O historiador romano Plínio, ao relatar o que sabia acerca da adoração dos cristãos, revela-nos que eles oravam a Cristo como a Deus. (Epist. x.97).

Destarte, sabemos que a palavra “Senhor”, quando se usa independentemente no Novo Testamento, quase sem exceções, significa O FILHO; e as palavras “revela-nos qual destes dois tens escolhido” são DECISIVAS (Veja também João 15:16 e 13:11). Os apóstolos são justamente mensageiros de Cristo: é Ele quem os envia e dEle dão testemunho (At 1:8). Aqui, portanto, temos o primeiro exemplo de uma oração oferecida ao Redentor exaltado, proporcionando assim, indiretamente, umas das provas mais fortes de Sua Divindade (ainda que os eleitos tenham sido um presente do Pai para com o Filho (Jo.17:6) isso não anula o fato de ter sido o Filho Quem os escolheu, como firma em Jo.6:70). Ora, se somente Deus é onisciente e não há dúvidas que “o que Deus Era o Verbo Era” (cf. Jo.1:1), segue-se que Jesus deve ser onisciente.

LUBE, Brício — IPB de Posto da Mata


PR FERNANDO GALLI RESPONDE

PERGUNTA 1 – Casei com quatorze anos e hoje tenho vinte. Descobri que não amo meu esposo. Por eu ter me casado tão nova eu posso diante de Deus me divorciar?

RESPOSTA CRISTà– De acordo com a Bíblia, só a morte (1 Coríntios 7:39) pode libertar você para um novo casamento, ou um ato de infidelidade da parte de seu esposo (Mateus 19:9) pode lhe dar o direito de divorciar e se casar de novo. Do contrário, você terá que colher as consequências de suas decisões erradas. Se se divorciar e se casar de novo sem base bíblica cometerá adultério.

PERGUNTA 2 – Se as autoridades são constituídas por Deus, conforme Romanos 13:1, então os ditadores  genocidas, como Sadan Russein, ou então Adolf Hitler, foram colocados por Deus?

RESPOSTA CRISTà– Na verdade, em Romanos 13:1 lemos que devemos nos sujeitar às autoridades do governo. pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram ordenadas por ele. Entendo isso no sentido de que qualquer autoridade deve a Deus a permissão para governar, mal ou bem. É óbvio que quando uma nação cristã elege um presidente cristão, por exemplo, vamos admitir também que além da permissão divina houve uma providência divina em prol do Cristianismo, ou até quando um mal governo surge como sinal do castigo divino de uma nação viver longe dos caminhos do Senhor Deus. De qualquer modo, Romanos 13:1-4 menciona que devemos apoiar as autoridades (salvo suas leis contrárias à Palavra de Deus), que elas podem nos punir se formos rebeldes e que cada autoridade é serva de Deus.

RESPOSTA 3 – Quando meu pai morreu, eu disse a verdade aos poucos à minha avó paterna, num prazo de quatro horas, primeiro dizendo que ele havia piorado, depois piorado mais. Só que ele já tinha morrido. Isso foi mentira?

RESPOSTA CRISTà–  Sim. Você poderia ter dado a notícia aos poucos sem mentir, afirmando passo a passo a piora do quadro dele, ou se a morte foi de repente, mas deveria ter dito a verdade, e ao anunciar a morte dele, poderia ter usado de um eufemismo, que é abrandar a mensagem, como por exemplo: “Meu papai, minha querida vovó, que é seu filho, está com Jesus agora.”

PERGUNTA 4 – Existe apóstolos hoje em dia?

RESPOSTA CRISTÃ – Se você se refere a apóstolo no significado da palavra “missionário”, então existem milhares. Mas apóstolos no mesmo sentido que Paulo, Mateus, Pedro, Tiago e João foram, de modo algum. Eles, junto com os profetas, são o fundamento sobre o qual somos edificados. (Efésios 2:20). Não pode haver mais de um fundamento depois de edificados, sendo assim, só aqueles eram. O mesmo se dá com os profetas. Por isso, Apocalipse 21:14 menciona que a Nova Jerusalém que desceu dos céus tem doze fundamentos, e neles estão os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

PERGUNTA 5 – Como devemos tratar pessoas excluídas da Igreja por pecados graves?

RESPOSTA CRISTà– A disciplina nesses casos é dura. Depois de esgotadas todas as tentativas para que um pecador se arrependa, sua rebeldia em continuar no pecado deve ser punida com a excomunhão. Paulo chama isso de “entregar tal homem a Satanás” (1 Coríntios 5:5) e ainda ordena a não termos convivência (intimidade) com tal pessoa, nem sequer comendo com ela, ou seja, relacionamento de amizade, associação íntima (1 Coríntios 5:9, 11). Isso é sério! Seria o cúmulo encontrarmos com um irmão na rua, excluído da Igreja por adultério, e dizermos a ele: “Eita menino sapeca! Tá de novo amor, né malandrão? … Vamos tomar um café para você me contar essa novidade?” A Igreja precisa mostrar para o excluído que as coisas não são mais como eram antes, e que não haverá intimidades com esse pecador até que ele se arrependa de verdade e abandone o pecado causador de sua excomunhão, mesmo que for a própria mãe. Não a abandonaremos, nem deixaremos de falar com ela, mas ela deverá perceber que o pecado dela incomoda muito a família e a Igreja cristã.

PERGUNTA 6 – Posso orar pelo meu cachorro, para ele ser curado?

RESPOSTA CRISTà – Eu acredito que sim. No seu lugar, eu diria a Deus que por ele ser o criador dos animais, o sofrimento do meu animal de estimação me deixa triste, então, que eu pediria que meu cachorro ficasse bem de saúde. Na verdade, esta seria uma oração em meu favor, para Deus acabar com a causa dessa minha tristeza. Todavia, eu já soube de exageros, como ungir cachorro dentro do templo com óleo de unção, ou pedir para Deus expulsar os demônios causadores de enfermidade no cachorro. Não é porque Jesus mandou demônios entrar nos porcos (Mateus 8:31, 32) que vamos achar que cachorros doentes têm demônios, pois só com a ordem de Jesus é que os demônios entraram nos porcos, o que inviabiliza a possibilidade de demônios poder entrar por conta própria em animais. Também, no caso de Satanás ter usado uma serpente para desencaminhar Eva, a Bíblia não diz que foi possessão. Provavelmente foi um truque em que Eva achou que fosse a serpente falando, como um ventríloquo usa um boneco para fazer parecer ser o boneco quem está falando. Assim, isto não dá margem para achar que há demônios em animais. Se eu fosse o diabo, eu mandaria os demônios entrar nos pássaros e de lá de cima se vingar de todos os meus inimigos.

PERGUNTA 7 – Quando um médium espírita recebe um espírito, é realmente de uma pessoa falecida?

RESPOSTA CRISTà– Eu não acredito que seja o espírito de uma pessoa falecida. A Bíblia condena consultar os mortos. (Levítico 20:27) Não porque isso seja possível, mas porque põe a pessoa em contato com espíritos enganadores. Assim como podemos nos vestir como alguém falecido e imitar sua voz, até como uma homenagem póstuma a uma pessoa querida, os demônios também podem se fazer vistos com trajes parecidos com os que o falecido usava enquanto vivo, e podem também até fazer um médium imitar a voz dos que se foram, e não apenas isso, mas fazer o médio escrever, pintar quadros, tocar instrumentos de forma parecida ao falecido antes de morrer.

PERGUNTA 8 – É correto um cristão contar piadas em que Deus é um dos personagens?

RESPOSTA CRISTà– Eu não gosto de extremismos. Afirmaria com toda a certeza de que as piadas com Deus no meio não são edificantes aos seus 99 por cento. Mas arriscaria afirmar que há exceções. Certa vez, um jovem de seus 15 anos me procurou durante um retiro, afirmando que Deus era injusto com ele por não fazer com que uma irmazinha da Igreja se apaixonasse por ele. Para ajudá-lo, eu lhe contei uma piada: Dois caipiras pescando. Um diz ao outro: “Cumpadi, tem coisa que Deus faz que eu discordo. Ele pôs elefante para andar na terra, ocupando um grande espaço, nem podendo viver nas cidades, mas pôs passarinhos pequenos, aos milhões, para voar no céu, sendo que lá tem espaço de sobra, sem fim. Se eu fosse Deus, eu tinha posto os passarinho para andar na terra, entre nós, e os elefantes para voar nos céus, pois ali teria espaço suficiente para eles.” Mas quando ele acabou de falar isso, um passarinho passou e deu aquela “obrada” bem dada na cabeça do caipira questionador. O caipira pôs a mão na cabeça, e disse: “Cumpadi, óia o que o passarinho fez na minha cabeça! Ih, cumpadi, pensando bem eu acho que Deus tá certo!” Numa outra ocasião, um pastor e eu discutíamos sobre usos e costumes. Então lhe contei a piada das duas irmãs de sessenta anos no salão de beleza, esperando cortar o cabelo. A defensora dos usos e costumes disse à irmã que fazia luzes: “Irmã, Deus pede para te dizer que ele te ama, mas odeia seus cabelos, porque a irmã não os deixa no natural, como Deus quis que ele ficasse com o tempo.” E a irmã da Igreja sem esses mesmos usos e costumes respondeu: “Certo minha irmã, e o que vou te dizer não é Deus quem pede pra te dizer, sou eu mesmo que vou lhe dizer. Com certeza Deus também ama a senhora, mas não gosta do seu sorriso. Sabe por quê? Porque a irmã usa dentadura.” A primeira piada enaltece a Deus e mostra que ele sempre tem razão sobre nós; pode ser sim contada, no lugar certo, para a pessoa certa. A segunda piada ilustra que não devemos falar como se fosse Deus falando, principalmente quando não há base bíblica para apoiar a suposta fala divina. Nesses casos, nessas exceções, devemos ainda nos perguntar: Essa piada que vou contar é para a glória de Deus? Ajudará o ouvinte a raciocinar biblicamente? Eu penso assim!

PERGUNTA 9 – Quando Jó disse: “Eu saí nu do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá”. Como poderia Jó voltar nu para o ventre da mãe sem reencarnar?

RESPOSTA CRISTà–  Quando um judeu lia esse texto em hebraico –עָרֹ֨ם [יָצָתִי כ] (יָצָ֜אתִי ק) מִבֶּ֣טֶן אִמִּ֗י וְעָרֹם֙ אָשׁ֣וּב שָׁ֔מָה –  ele entendia que esta mãe não se referia à mãe dele, mas à terra, ou o pó da terra. Era um equivalente de “tu és pó e ao pó voltarás”. (Gênesis 3:19) Sabemos disso porque no Salmos 139:13, 15, o salmista diz que Deus formou seu interior e o teceu no ventre de sua mãe, mas depois diz que seu corpo foi formado e tecido com esmero nas profundezas da terra, colocando em paralelismo de sinônimo “ventre de minha mãe” e “profundezas da terra”. Assim, Jó meramente estava dizendo sobre a mãe terra: Vim de lá sem nada, e voltarei para lá sem nada.


ARGUMENTOS CATÓLICOS ROMANOS SOBRE A INTERCESSÃO DOS SANTOS
É inegável que Deus dotou o homem e os seres espirituais da faculdade da comunicação e, no caso dos que são seus filhos, do importar-se uns com os outros. Católicos, protestantes e evangélicos estão de acordo com isso.
Também é consenso entre os cristãos que os filhos de Deus aqui na terra podem interceder uns pelos outros, pois lemos em 2 Tessalonicenses 3:1:

“Por fim, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor seja divulgada e glorificada, como também aconteceu em vosso meio.”

Em 1 Timóteo 2:1, encontramos provas da necessidade de intercedermos a Deus por outros:

“Antes de tudo, exorto que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens.”

Mediador e Intercessores
Todavia, as dificuldades surgem entre católicos, protestantes e evangélicos quando algumas questões são levantadas pela Igreja Romana. A primeira é:

Argumento Católico Romano 1 – Se Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, conforme 1 Timóteo 2:5, e se medeia, intercede, e se ao mesmo tempo podemos interceder uns pelos outros, portanto, podemos ser intercessores. O fato de Jesus ser o único mediador ou intercessor não impediria de os santos católicos imitarem a Cristo e elevarem a Deus pedidos em nosso favor?

Resposta Cristã – Em primeiro lugar, precisamos compreender que embora tanto Cristo como os cristãos, e até o Espírito Santo de Deus (Romanos 8:26, 27), intercedam por nós, o texto de 1 Timóteo 2:5 fala de mediação, não intercessão. Embora a mediação de Cristo entre Deus e os homens possa incluir a atos intercessores, apenas Cristo é o mediador. Por quê? Porque a palavra grega mesítes é, no contexto cristão, aplicada apenas a Jesus Cristo. (Veja Hebreus 8:6; 9:15) Observe, abaixo, o texto grego em 1 Timóteo 2:5:
Esta palavra mesítes éno contexto Cristão, aplicada apenas a Jesus. Conforme VINE explica, “a salvação dos homens tornava necessário que o próprio Mediador possuísse a natureza e atributos daquele para quem Ele age, e, igualmente participasse da natureza daqueles por quem Ele age (exceto o pecado); somente sendo possuidor da deidade e da humanidade é que Ele poderia compreender as reivindicações de um e as necessidades dos outros.”¹ Em outras palavras, só Jesus pode ser este mediador por ser perfeitamente Deus e perfeitamente homem.*
Mas quando se trata de intercessão de uns para com os outros, usam-se outras palavras gregas que não mesítes. Por exemplo, em 1 Timóteo 2:1, Paulo exorta que se faça intercessões (enteukis) por todos os homens. Veja como essa palavra ocorre no texto em grego:
Em Romanos 8:26, 27, os verbos para interceder, referindo-se à obra do Espírito Santo na vida do crente, são entunchano, no v. 27 (fazer petição) e hypertounchano, no versículo 26, com o significado de “interceder em favor de outrem“. (VINE) Veja o texto em grego abaixo:
No caso de Jesus, além de ser o único mesítes (Mediador), em Romanos 8:34 lemos que Ele intercede  (entunchano) por nós. Com isso em mente, Jesus é o único mesítes (mediador) e intercede (entunchano), e nós não podemos ser mediadores no mesmo sentido que Jesus é, todavia, nós e o Espírito Santo podemos interceder pelos salvos em Cristo Jesus.
Com essas informações em mente, não é o fato de Jesus ser o único mediador entre Deus e os homens, em si, que provaria que nós não devemos pedir pela intercessão dos santos que já estão na glória celestial. Afinal de contas, o texto que usamos em 1 Timóteo 2:5 fala do papel exclusivo de Jesus: Somente Ele medeia entre Deus e nós porque apenas Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente homem, e isso a Igreja Católica Romana também crê.
O que católicos, protestantes e evangélicos precisam provar é: Há na Bíblia indícios de que a intercessão de uns para com os outros continua após a morte, ou que podemos pedir a um santo lá no céu para que interceda por nós a Deus?
Para os católicos, suas maiores provas são extra-bíblicas. Baseiam-se na Tradição da Igreja. Segundo eles, já nos primeiríssimos anos do Cristianismo, os cristãos, nas catacumbas de Roma, ao se reunirem ali escondidos dos Imperadores Romanos, cultuavam os mortos. De fato, há nessas catacumbas inscrições de cristãos pedindo a Pedro e a Paulo que rezassem por fulano ou beltrano. Todavia, esse costume de acordo com as Escrituras era errôneo. A Bíblia ensina em Eclesiastes 9:3-11 que os mortos nada sabem do que ocorre debaixo do céu. Além do que tais inscrições nessas catacumbas também incluíam petições a deuses e semi-deuses pagãos, para agirem como intercessores, provando que os cristãos, entre os séculos II e IV, davam indícios de contaminação por práticas pagãs.
Alguns católicos poderiam dizer, então: Se a Igreja era tão errada entre os séculos II e IV, como poderia ter autoridade para escolher quais livros seriam incluídos no Cânon Bíblico? A Igreja como povo de Deus nunca foi errada, mas as pessoas que a compõem, sempre foram imperfeitas. Daí vemos Salomão ser escritor da Palavra de Deus mas ter se desviado de Deus. (1 Reis 11) Isso mostra o amor de Deus por seus filhos, que apesar de seus erros, foram usados por Deus para cumprir seus propósitos. E a beleza desse amor é que apesar de uma igreja ainda jovem, que sofria às mãos de seus perseguidores, Deus não permitiu que acrescentassem em sua Palavra nenhuma dessas práticas errôneas contrárias a outros versículos da Bíblia, como acreditar que Pedro e Paulo poderiam interceder por nós, e que eles poderiam nos ouvir.
Mesmo assim, os apologistas católicos tentam usar a Bíblia para apoiar a argumentação em favor da crença na intercessão dos santos. Por exemplo, podem usar Apocalipse 6:9, 10. Lemos ali:

“Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamaram em alta voz, dizendo: Ó Soberano, santo e verdadeiro, até quando aguardarás para julgar os que habitam sobre a terra e vingar o nosso sangue?”

Este texto fala dos mártires devido ao evangelho de Jesus, enquanto estão no céu, pois são almas e haviam sido mortos, clamando a Deus em favor do julgamento dos que habitam na terra e da vingança do sangue dos próprios mártires (“vingar o nosso sangue?”) Mas onde no texto se afirma que estes mártires estão intercedendo por nós aqui na terra? Em lugar algum! Eles estão pedindo em favor deles mesmo, lá no céu, e por justiça e julgamento contra os que os mataram. Eles sabem que morreram assassinados, por isso clamam por justiça para com seus assassinos. É isso realmente intercessão? De jeito nenhum! E se fosse, essa passagem provaria, no máximo, que os no mundo espiritual podem interceder apenas pelos que vivem no próprio paraíso (céu para os católicos), assim como também, segundo a Bíblia, os cristãos aqui na terra devem interceder apenas por aqueles que ainda vivem entre nós. Por isso, desafio os católicos a provarem na Bíblia, em livros Inspirados por Deus (não em aberrações encaradas como parte das Escrituras apenas no século XV) se:

1. Há na Bíblia um único caso de seres espirituais que já viveram aqui na terra intercedendo a Deus por nós aqui, além de Jesus.

2. Há na Bíblia um único caso de um cristão dirigir-se a algum espírito para que este interceda a Deus por alguém na terra, que não seja Jesus.

Então, o ponto que precisamos enfatizar: O fato de crermos que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens não anula a necessidade de intercedermos uns pelos outros aqui na terra, pelo fato de que o papel de Jesus de mediar depende de ele cumprir com os requisitos de ser perfeitamente Deus e Homem, e sem pecado, portanto, apenas ele pode mediar. Mas nós não precisamos ser perfeitamente Deus e homem, e sem pecado, para pedir a Deus por outros.

Mas os anjos não vieram falar com homens e mulheres aqui na terra? Sim, sem dúvida! Mas eles estavam a serviço de Deus, dos pedidos e ordens de Deus. Não se tratava de orar, nem de ter anjos devotos.

Argumento Católico Romano

2 – Nós, católicos, cremos que só existe um mediador diante de Deus e dos homens. Não existem dois, mas um apenas. Muito menos que Jesus seja o principal mas haja outros coadjuvantes. Assim, cremos num único mediador, todavia, Ele, Jesus, não é sozinho. Cristo tem um corpo e esse corpo é a igreja. Cristo é a cabeça e nós somos o corpo, e como corpo de Cristo, nós somos os membros do corpo desse único mediador. Por isso que São Pedro pode falar que somos sacerdotes. É por isso que o Apocalipse pode dizer que somos um reino de sacerdotes. Assim como Jesus é o único sacerdote mas não é sozinho, pois tem outros sacerdotes, ou seja, a Igreja, assim também Jesus é o único mediador (intercessor) mas não é sozinho, pois tem sua igreja como seu corpo intercessor. Assim, esse único mediador é Cristo, mas o Cristo total, ou seja, Ele e a Igreja. Sendo assim, a sua igreja pode, como corpo dEle, mediar e interceder. Assim, esse único mediador é a cabeça e os membros (nós, cristãos).

Resposta Cristã – Em primeiro lugar, quando se diz na Bíblia que Cristo é o cabeça do corpo, a Igreja, não se usou essa figura de linguagem, esse recurso linguístico, para ensinar que Cristo é o único mediador. Usou-se apenas essa metáfora para mostrar a relação inseparável de Cristo com sua Igreja. Se fôssemos levar isso a sério, que sempre o que Cristo faz a sua igreja deve fazer igual, pelo fato de serem juntos cabeça e corpo, então seríamos obrigados a admitir que literalmente morremos com Jesus na cruz, que Cristo intercede por ele mesmo, e outras aberrações. De fato, se esse papo de Cristo-Todo fosse base para os do céu intercederem por nós, então deveríamos orar a Deus em favor deles também. Onde lemos na Bíblia alguém orar por um falecido, ou para que ele ore a Deus por nós?

Além disso, se conforme alguns católicos sugerem, os anjos de Deus informam os santos lá no céu de nossas petições (pois os santos não podem nos ouvir), ou que o próprio Deus conte aos santos nossos pedidos para eles contarem os mesmos pedidos de volta a Deus (isso parece troca-troca de dados), então já que somos um Cristo-Todo, seria muito natural que Deus nos informasse os motivos pelos quais deveríamos orar pelos santos já na glória. Mas isso não acontece.

Em segundo lugar, o fato de Jesus ser o único sacerdote (na verdade ele é Sumo Sacerdote), sendo que somos sacerdotes com ele, piora as coisas para a Igreja Católica, porque prova que há ações e atitudes que somente Cristo faz, assim como os sumos sacerdotes em Israel realizavam obras no santíssimo que somente eles poderiam fazer. Portanto, só Jesus, no céu, ouve nossas orações, pois ele é Deus, e somente ele tem esse poder. Só Deus é mencionado nas Escrituras como ouvinte de oração. Aqui na terra, quando alguém pede uma oração da nossa parte em seu favor, o pedido dela é atendido porque a outra pessoa pode ouvi-la. Mas será que no céu os santos têm o poder de ouvir milhões de orações ao mesmo tempo e levá-las a Jesus, para Jesus levar para Deus-Pai?

Em terceiro lugar, pensemos em outros questionamentos. Por exemplo, os anjos de Deus são mensageiros de Deus e muitas vezes em nosso favor. Quando enviados por Deus, eles agem por nós. Nesse sentido, poderiam ser considerados num ato de intercessão, ou missão, mas em nenhum caso nas Escrituras, por desempenharem tais funções, foram considerados intercessores da forma como os católicos fazem. Uma coisa é eu ser enviado para ensinar matemática para um aluno em dificuldades, outra coisa é eu realmente ser o professor dele. Além disso, não há um caso nas Escrituras em que um servo de Deus orou a um anjo. , ou depositou dinheiro aos pés dele, ou acendeu-lhe velas. Orações intercessoras a seres espirituais, que não sejam a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), não são mencionadas na Bíblia. E quando o anjo de Deus intercede por Jerusalém, conversando com Deus e com o profeta, trata-se de uma atitude  ordenada por Deus, não pedida pelos homens. (Zacarias 1:12, 13) Além do que muitos estudiosos veem nesse anjo o Logos Divino Pré-encarnado, Jesus. O fato de homens conversarem com anjos de Deus não significa que eles estivessem orando a eles, do modo como a Bíblia nos ensina a interceder uns pelos outros. Além disso, no mundo espiritual, não há referências bíblicas de santos orando a Deus por nós.

Em quarto lugar, uma coisa é eu pedir para alguém orar por mim, enquanto ambos estamos aqui na terra. Então, a pessoa intercederá a Deus por mim, não porque orei a ela, mas me dirigi a ela, quer pessoalmente, ou por carta. Outra coisa é o ensino católico romano de que eu oro a alguém para esse alguém pedir a Deus. É totalmente o contrário! Se eu oro, tem que ser a Deus, e se for a Deus tem que ser em nome de Jesus. Então, eu oro, por exemplo, a Santo António em nome de quem? De Jesus? Não!, pois Jesus não é mediador entre Santo António e a minha pessoa.

Em quinto lugar, na parábola do Rico e do Lázaro, é o Rico que pede para Abraão avisar seus irmãos na terra. E qual a resposta? Não! “Eles já têm a Moisés e os profetas. Que os ouçam!” (Lucas 16:29) Mesmo que os católicos romanos digam que tal pedido de intercessão foi negado porque foi o Rico quem pediu, e ele estava no inferno, se fosse possível a intercessão entre espíritos a favor de pessoas aqui na terra, Abraão teria sugerido que se esperasse o pedido de intercessão de outra pessoa, mas isso não aconteceu. Até então, o que Moisés e os profetas escreveram deveria ser ouvido, pois era o suficiente. E por que Abraão não respondeu: “Que seus irmãos peçam para Moisés e os Profetas aqui?” Porque não é correto fazer isso.

Conclusão

Não cremos na Tradição da Igreja Católica Romana. Ela é antibíblica. Qualquer estudioso sincero sabe que a Igreja Romana chupou com força muitas de suas crenças do paganismo. Nada nas Escrituras, nem de longe nem de perto, apóia a crença de que os santos lá intercedem por nós. Há de se fazer muito malabarismo textual para provar o absurdo. No mundo espiritual, é Jesus, com suas naturezas divina e humana, quem faz a intercessão e mediação. Mesmo assim, Deus nos ensina a orar uns pelos outros, intercedendo uns pelos outros. Isso faz com que Jesus deixe de ser o único mediador em sentido estrito? Não, porque ser mediador é apenas papel de Cristo, porque sua mediação se dá por ser plenamente Deus e plenamente homem, e é aplicada em sentido salvífico. Nós não podemos, no contexto Cristão, sermos mediadores entre Deus e os homens, porque não podemos religar o homem com Deus. Mas podemos interceder pelos outros porque Deus assim permite que nos importemos com nosso irmão.

Quanto aos que estão na glória (no céu, para os católicos romanos), lá no paraíso não lhes foi dada essa função de interceder por nós por sua incapacidade e limitações. Eles não podem nos ouvir. E não há um versículo na Bíblia que nos ensine que os anjos que vivem à nossa volta ouvem nossas orações e as levem para os santos, para que estes as levem para Jesus.

Alguns apologistas católicos dizem que oram todos os dias pelos protestantes e evangélicos, para que estes se convertam, tornando-se católicos, para que só assim possam ser salvos. Quanto a nós, protestantes e evangélicos, oramos para que Deus continue demonstrando a sua graça a todos eles, e que possamos confiar na salvação da Igreja através de Cristo, não de placas denominacionais. – Pr. Fernando Galli.


O PERIGO DA BÍBLIA NAS MÃOS DE SECTÁRIOS E DOS FALSOS MESTRES ENTRE NÓS. – PARTE 1

Nunca na história da Igreja Cristã levantou-se um tão grande número de comentaristas bíblicos como em nossos dias. A herança da Reforma Protestante, que apregoava a livre leitura das Escrituras a todos, acabou por produzir líderes de igrejas sem a menor condição de interpretar as Escrituras. Veremos o que consideramos os dez piores absurdos já vistos por nós:

ABSURDO 1 – “Quando Cristo morreu, pode-se dizer que até sua ressurreição, desfez-se a união hipostática para que Jesus pudesse experimentar a segunda morte, ou o lago de fogo, por nós”.

RESPOSTA CRISTà– O autor dessa frase é um adventista famoso. Como a Igreja Adventista do Sétimo Dia apregoa que quando o homem morre ele deixa de existir, a pergunta é: O que aconteceu com a união hipostática de Jesus Cristo? Se nada sobreviveu à morte de seu corpo, como um espírito, então o homem Jesus deixou de existir, restanto apenas por três dias sua natureza divina. Mas o problema é que a Bíblia nada diz sobre isso. Diz que “o Verbo se fez carne, e habitou entre vós”. (João 1:14) Quando isso ocorreu? Na concepção em Maria. O tornar-se “carne” mostra que o Verbo, além de ser Deus, é homem. Em grego, é uma ação realizada de uma vez por todas. Não há intervalo. E muito menos pode-se admitir que Jesus teria experimentado o lago de fogo, ou a segunda morte, que para eles é a inexistência.

ABSURDO 2 – “Os tempos mudaram. Não deu certo, separa e casa de novo.”

RESPOSTA CRISTà– O autor dessa frase é pastor professo Cristão numa comunidade evangélica independente. Conforme a Confissão de Fé que defendemos, a de Westminster, só há base bíblica para o divórcio e recasamento quando há traição no casamento. Jesus ensinou isso em Mateus 19:9: “Mas eu vos digo que aquele que se divorciar de sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e se casar com outra, comete adultério.” Portanto, a Bíblia não permite o tal “ah, se não der certo, separa e casa de novo”.

ABSURDO 3 – “Eu não sou dos 144 mil, sou da Grande Multidão, por isso, só serei filho de Deus depois dos mil anos.”

RESPOSTA CRISTà– Quem ensina isso são os Testemunhas de Jeová. Para início de conversa, ninguém atualmente pode ser membro da Grande Multidão, pois para se fazer parte dela precisa cumprir dois requisitos: “Estes são os que saem da grande tribulação e lavaram suas vezes e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. (Apocalipse 7:9-13) Sendo assim, como a grande tribulação não começou, não existe ninguém ainda da grande multidão. Além disso, a Bíblia nada ensina sobre os da grande multidão se tornar filhos de Deus apenas depois dos mil anos. O que a Bíblia ensina é: “Somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”(Gálatas 3:26) e “a tantos quantos o receberam [i.e., a Jesus], deu-lhes a prerrogativa de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12) Quem tem fé genuína em Jesus é filho de Deus.

ABSURDO 4 – “Sou pastor e tenho a vida muito agitada. Sendo assim, Deus me deu um dom maravilhoso. Quando chego cansado em casa e não posso ir à Faculdade de Direito à noite, eu durmo e Deus me permite ir à aula em espírito, assim como Paulo foi ao terceiro céu.”

RESPOSTA CRISTà– Quem me disse isso certa vez foi um pastor da Igreja Quadrangular, em Sorocaba-SP. Esse pessoal de “asa no pé” é uma desgraça em Bíblia. No caso de Paulo, ele não sabia se foi ao Paraíso no corpo ou fora do corpo. Basta ler 2 Coríntios 12:2-4 e confirmar. Mas esse pastor sabia como ia para a Faculdade. Outro problema grave é que a Bíblia apenas ensina que o espírito sai do corpo na morte, para retornar a Deus, quer no paraíso para aguardar a ressurreição, quer para o hades (o dono do inferno é Deus, não o capeta, por isso, quem vai para o hades equivale a seu espírito voltar a Deus). (Eclesiastes 12:7) Quando João, em espirito, encontrou-se no dia do Senhor, ele teve visões sobre o futuro, mas não abandonou seu corpo e foi para o futuro, a lá Michael Jane Fox em De Volta para o Futuro. Essa esperiência do tal pastor, se realmente ele sentiu acontecer isso com ele, nada mais é do que influência satânica (se é mentira dele, também é inflência satânica – João 8:44), já que viagens astrais nada mais são do que a sensação que espíritos maus causam em pessoas para que elas achem que seu espírito sai do corpo para visitar galáxias e mundos diferentes. Acho que esse pastor deveria se converter a Cristo ou assumir ser espírita kardecista.

ABSURDO 5 – “Quando ouvimos vozes na orelha esquerda, é o diabo, ou um demônio, que está nos falando; quando ouvimos na orelha direita, é Deus ou um de seus anjos”.

RESPOSTA CRISTà– Na minha opinião, isto se resolve em duas etapas. A primeira é tratamento psiquiátrico por um bom tempo, e com a melhora, estudo teológico, com boas doses de estudos sobre angelologia e satanologia. É inacreditável como pessoas se entregam tão facilmente a fábulas. Paulo exortou Timóteo a rejeitá-las. (1 Timóteo 4:7) Se uma pessoa é surda do ouvido direito, vai ter briga entre Deus e o capeta, entre anjos e demônios, para ver quem usará o ouvido esquerdo. A Bíblia nada ensina isso. E essas fábulas provavelmente tem sua origem em mentes muito férteis e obcecadas na parábola das ovelhas e dos cabritos, em que as ovelhas serão postas à direita de Jesus e os cabritos à esquerda.

ABSURDO 6 – “A Bíblia fala do Leão da Tribo de Judá, que é Jesus. Como o leão marca território? Com o xixi. Nós seguimos esse leão, Jesus, então temos que marcar território em nossa cidade para que os demônios e potestades não se apoderem dela. Amanhã sairemos para urinar em ao redor de nossa cidade.”

RESPOSTA CRISTà– Não vemos ninguém nas Escrituras Sagradas fazendo xixi para demarcar território. Fico imaginando o Apóstolo Paulo, em suas viagens missionárias, fazendo xixi ao redor de Corinto, da Galácia, etc! A Bíblia ensina que Deus, em vez de usar o xixi dos outros, ele usa seus anjos para nos proteger. Por isso, lemos no Salmos 34:7, que o anjo do SENHOR acampa ao redor dos que o temem e os livra. Então, à lá Guilherme Arantes, eu pergunto sobre esse pessoal com essa hermenerreia bíblica: “Quem foi que disse que eles podem vir aqui NA BÍBLIA fazer pipi?”

ABSURDO 7 – “Irmão Fernando, para que Deus perdoe seus pecados sexuais cometidos antes de sua conversão, você terá que pôr este óleo de unção nas sua mão direita, ir ao banheiro, abaixar as calças, e passar esse óleo no pênis. Quando você sentir o pênis esquentar é porque Jesus está queimando seu pecado.”

RESPOSTA CRISTà– Deus é testemunha de que isso aconteceu comigo. Era um pastor batista do G12. Segundo a Bíblia, é o sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado (1 João 1:7), não o óleo. E o sinal de que Cristo nos perdoou é a paz de espírito, com consciência limpa, não óleo esquentando. Se a moda pega, homossexual arrependido terá que seguir o mesmo protocolo? Ou no caso, o mesmo proctocolo?(Perdoe a brincadeira!) – Pr. Fernando Galli.

Continua na próxima edição…


TRINITÁRIOS, CONHEÇAM A DOUTRINA!

É inacreditavel observar nas redes sociais o nível dos debates entre seitas arianas, como testemunhas de Jeová, Igreja de Deus do Sétimo Dia, Estudantes da Bíblia e suas ramificações, e desigrejados aos montes, debatendo contra nossos irmãos trinitários que nem conhecem a doutrina. Trata-se de uma comédia de fazer rir! Pois do lado das seitas, encontramos argumentos do tipo: “Como Jesus e o Pai podem ser a mesma pessoa se Jesus orava para o Pai?” e do lado cristãos respostas do tipo: “Eles são a mesma pessoa porque é um mistério”, ou “Pai, Filho e Espírito Santo são três pessoas numa só” ou ainda “A Trindade é como uma pessoa que na familia é pai, no esporte é jogador, e no trabalho é chefe”, ou seja, uma pessoa com três funções diferentes.

Que lástima! Nenhum dos dois lados do debate sabe em que a Igreja de Jesus Cristo realmente crê sobre a Trindade. Assim, segue abaixo várias definições do que cremos, da parte de teólogos e obras teológicas de renome. Parta, pelo amor de Deus, dessas definições, para compreender em que realmente nós cremos, mediante a Bíblia.

“Trindade. Termo que designa um só Deus em três Pessoas.” – Enciclopédia Histórico-|Teológica da Igreja Cristã : em um volume, página 576, Volume 3. São Paulo: Vida Nova, 2009.

“Trindade. […] Mas esta doutrina está implícita no testemunho dado pelas Escrituras quanto à verdadeira e completa divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mantendo uma distinção de pessoas; em outras palavras, há três pessoas em um único Deus.” – Dicionário Bíblico Wycliffe, páginas 1967, 1968. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

“TRINDADE. Termo que designa os três membros do Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo.  […] Em toda a Bíblia, Deus é apresentado como o Pai, o Filho e o Espírito Santo – não três “deuses”, mas três pessoas em um único Deus. (v.  Mt 28:19; 1Co 16:23, 24; 2Co 13:13).”- Dicionário Bíblico Tyndale, página 1806. Santo André: Geográfica Editora, 2015.

“Trindade. A Igreja define a Trindade de Deus como a crença que em Deus existem três pessoas, que subsistem numa única natureza.” – MACKENZIEJohn L. Dicionário Bíblico, página 866. São Paulo : Paulus, 1983.

“Uma das melhores definições de Trindade que eu conheço é a de Warfield: “Existe apenas um Deus único e verdadeiro, mas na unidade da divindade existem três pessoas co-eternas e co-iguais, da mesma substância, mas de subsistência distinta”.” – RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos, página 61, 62. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.

“Historicamente, a Igreja formulou a doutrina da Trindade em razão do grande debate a respeito do relacionamento entre Jesus de Nazaré e o Pai. Três Pessoas distintas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo são manifestadas como Deus, ao passo que a própria Bíblia sustenta com tenacidade o Shema judaico: “Ouve, ó Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR“. (Dt 6:4)”. – Horton, Stanley M. Teologia Sistemática – Uma Perspectiva Pentecostal, página 158. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

“O Pai não é o Filho, […] O Filho não é o Espírito Santo. […] O Espírito Santo não é o Pai. […] O Pai é o Deus único. O Filho é o Deus único. O Espírito Santo é o Deus único.” – FERREIRA, Franklin & MYATT, Allan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, páginas 183, 184. São Paulo: Vida Nova, 2007.

O único ser divino subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito. Esta proposição nada acrescenta aos fatos em si, pois os fatos são: (1) Que há um Ser Divino; (2) O Pai, o Filho e o Espírito são divinos. (3) O Pai, o Filho e o Espírito são pessoas distintas.” – HODGE, Charles. Teologias Sistemática, páginas 334, 335. São Paulo: Hagnos, 2001.

“Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – e cada pessoa é plenamente Deus, e existe um só Deus[…] Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreender parte de sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em três declarações: 1. Deus é três pessoas. 2. Cada pessoa é plenamente Deus. 3. Há um só Deus.” GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática : Atual e Exaustiva, páginas 165, 169. São Paulo : Vida Nova, 1999.

“Pode-se discutir melhor, e resumidamente, a doutrina da Trindade em conexão com várias proposições que constituem um epítome da fé professada pela Igreja sobre esses pontos. a. Há no Ser Divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em seu ser essencial, ou seja, em sua natureza constitucional. […] b. Neste único Ser divino há três Pessoas ou subsistências individuais, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.” – BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, página 83. 3a. Edição. São Paulo : Cultura Cristã, 2009.

“Ponto de partida: Cultuamos Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem nunca confundir as pessoas nem separar as substâncias.” […] Embora exista um só Deus, ele existe em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.” – STURZ, Richard J. Teologia Sistemática, páginas 172, 176. São Paulo : Vida Nova, 2012.

“Há três tipos distintos, porém, inter-relacionados, de evidência: a evidência a favor da unicidade de Deus – Deus é um; a evidência de que há três pessoas que são Deus; finalmente, as indicações ou, ao menos, aos sugestões da “triunidade” […] 2. A divindade de cada uma das três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – deve ser assegurada. Cada um é qualitativamente igual. O Filho é Divino da mesma forma e na mesma medida que o Pai, e isso também se aplica ao Espírito Santo. […] 4. A trindade é eterna. Sempre houve três – Pai, Filho e Espírito Santo – e todos eles foram divinos.” – ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática, página 317.

“A doutrina da Trindade pode expressar-se  nas seguintes seis afirmações: 1. Há na Escritura três que são reconhecidos como Deus. 2. Estes três são descritos de tal modo que somos compelidos a concebê-los como pessoas distintas. 3. Essa tripessoalidade de natureza divina não é simplesmente econômica e temporal, mas imanente e eterna. 4. Essa tripessoalidade não é triteísmo; pois enquanto haja três pessoas, há apenas uma essência. 5. As três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais. 6. Inescrutável, embora nao autocontraditória, essa doutrina fornece a chave de todas outras doutrinas.” – STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática, página 452, Volume 1. São Paulo : Hagnos, 2003.

Com essas definições acima, você poderá aprimorar seus conhecimentos doutrinários sobre o tema Trindade. Não se conforme com explicações rasas, populares. A doutrina da Trindade é tão importante que se não compreendermos no que a Igreja crê sobre o assunto não entenderemos nada sobre as outras doutrinas da fé cristã.

Portanto, não cremos numa Trindade de três pessoas numa só, nem de uma pessoa com três funções ou modos diferentes (pois isso é unicismo), mas no único Deus que coexiste e subsiste em Três Pessoas distintas, mas não separadas, pois elas são o mesmo Deus! – Pr. Fernando Galli.

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