PERGUNTA – Por que existem tantas Igrejas pregando que somente elas são a verdadeira religião? 

RESPOSTA CRISTà– Há várias razões para isso. A primeira delas tem a ver com o não saber ser Igreja de Cristo. A Igreja de Cristo é a união de todos os que têm fé em Jesus, e não uma instituição religiosa. As igrejas-denominações unem pessoas em torno de interpretações comuns da Bíblia, e cada uma delas é uma expressão da Igreja chamada de Corpo de Cristo. (1 Coríntios 12:27) Quando uma pessoa sai de uma dessas denominações para formar uma outra, e não considera seus ex-irmãos mais irmãos em Cristo, e passa a ensinar que só a nova igreja dele é a certa, então ele se dividiu deste Corpo de Cristo, tornando seu novo grupo religioso uma seita, que em grego significa divisão, partido.

A segunda razão pela qual surgem movimentos exclusivistas tem a ver com o orgulho religioso. Professar um exclusivismo religioso implica em pôr os holofotes da fé sobre si mesmo. Implica também em achar que Deus, antes do surgimento desse novo grupo, ou não tinha uma Igreja na terra, ou se tinha mas não havia oferecido algo melhor ainda a seus filhos. Isto é um absurdo! A Bíblia nos ensina a humildade. Jesus ensinou que quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. (Lucas  14:11) Então, apregoar o sectarismo é desconsiderar a história da fé para orgulhosamente se promover no meio religioso. 

A terceira razão pela qual surgem movimentos exclusivistas tem a ver com a um péssimo método de interpretação bíblica, humano, não guiado pelo Espírito Santo, o que é esperado por aqueles que não sabem ser igreja de Cristo e são orgulhosos. E isto faz com que eles acabem tirando Jesus do centro da vida Cristã e dividindo os méritos da salvação com Jesus. Por exemplo, quando Jesus diz em João 14:6 “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, eles ensinam assim: “Sim, ele é o caminho, mas dentre todos os que afirmam ter fé nele e segui-lo nesse caminho, só nós somos o atalho para Jesus; sim, ele é a verdade, mas dentre todos os que creem na verdade, só nós a ensinamos de fato; sim, ele é a vida, e dentre todos os cristãos crentes em Jesus como a vida, só quem é da nossa irmandade receberá a vida eterna.” Chamo isso de “mania de ser Noé” – quem não está na arca que eu construí vai se afogar.

Uma quarta razão tem a ver com decepções passadas. Os exclusivistas nunca deram certo na Igreja de Jesus porque não souberam lidar com pecadores como ele. Guardaram as sementes de mágoas, injustiças, imperfeições, e pior, plantaram-nas no seu coração e na sua mente individualista. Passaram a se isolar dos outros e a consequência disso está registrada na Bíblia: “Quem vive isolado busca seu próprio desejo e insurge-se contra a verdadeira sabedoria”. (Provérbios 18:1) Valorizar erros dos outros, não perdoar, não buscar cooperar com o coletivo faz tão mal a certos indivíduos que até sua mente começa a não “bater os pinos direito”. De fato, há indivíduos que nesse quadro de decepção religiosa acabm até tendo visões ou sensações de que Deus o está chamando para ser o Seu porta-voz e, então, basta ir a qualquer monte mais elevado que o primeiro vento que lhe soprar nas nádegas o fará achar que é o Espírito de Deus que o está chamando. Pronto, está formado mais um dono de igreja exclusivista. Tudo por quê? Devido às decepções não resolvidas biblicamente, com bons conselheiros. 

Há outras razões, dependendo o caso, para esses exclusivistas, como exploração do dinheiro alheio, problemas emocionais que precisam ser diminuídos com o ser aclamado e paparicado por leigos desavisados e enganados (discípulos).

Como Igreja de Cristo, precisamos buscar viver esse ideal divino: Ser um assim como o Pai e o Filho são um (João 17:21-23) e ser unidos na mesma mente e maneira de pensar, pelo menos no que significa ser Igreja Corpo de Cristo. (1 Coríntios 1:10). É como casamento! Marido e mulher são chamados de “uma só carne”. (Genesis 2:24; Mateus 19:5, 6; Efésios 5:31) Mas esse ser uma só carne envolve sempre o perdão neste compromisso que só a morte pode separá-los, ou um ato de infidelidade. (Mateus 19:8, 9) O mesmo deve ocorrer no corpo de Cristo. 

Assim, sejamos igreja de Cristo. Fujamos do orgulho. Busquemos aprender e confiar nos mestres bem conceituados da Igreja, colocados ali para edificar o Corpo de Cristo. (Efésios 4:11, 12) Sejamos submissos aos líderes que Jesus põe na Igreja. (Hebreus 13:17) Não nos isolemos jamais quando surgirem problemas, mas vamos ouvir a Igreja para resolvê-los. E nada melhor do que uma igreja feliz e unida composta de bons perdoadores. Se todos agissem assim, seríamos uma só igreja-denominação.

_____

PERGUNTA – Como devemos encarar um grupo religioso que obriga as pessoas a doar o dízimo e as ameaça de perda de salvação caso não o façam?

RESPOSTA CRISTÃ – Líderes com essa mentalidade estão totalmente fora das Escrituras. E a resposta seguinte serve para todos os mandamentos e regras para se obedecer: Quem é salvo em Cristo, pela graça de Deus por meio da fé (Efésios 2:8, 9), nasceu de novo, é nova criatura. (João 3:3; 2 Coríntios 5:17) Este, segundo a Bíblia, foi criado para as boas obras. (Efésios 2:10) Ou seja, diferente dos não salvos, que fazem boas obras por uma mera questão de observar os outros fazendo o mesmo, o crente salvo busca fazer boas obras, não para ganhar a salvação, não para evitar perdê-la, o que seria uma verdadeira doutrina herética de salvação pelas obras, como forma de agradecimento por tão maravilhosa salvação, e como maneira de agradar a Deus. Fará isso por amor. Portanto, se um cristão faz parte de uma igreja-denominação que entende o dízimo válido para os cristãos, ele obedecerá porque é salvo e respeita as leis de sua comunidade cristã, e jamais causará divisão na igreja por causa desses princípios. Caso ele entenda ser pressionado pela igreja a dar o dízimo, ele poderá conversar com o pastor presidente dela, expondo seu ponto de vista bíblico e teológico, sobre o amor de Deus. Caso não haja acordo, o cristão poderá decidir se continua como membro ali, sem causar problemas para a comunidade que o acolheu.

_____

PERGUNTA – A Igreja deve receber amigados, divorciados recasados no rol de membros?

RESPOSTA CRISTÃ – Vamos começar com os divorciados. A Bíblia dá algumas bases para divórcio. Quando um dos cônjuges trai o outro, segunda as palavras de Jesus em Mateus 19:8, 9, pode-se divorciar. Em 1 Coríntios 7:15, lemos que se o cônjuge descrente decidir deixar o crente, este pode ficar com a consciência tranquila. Destes dois textos acima, apenas o caso da traição liberta a pessoa para o recasamento. Mas nestes dois casos, os textos estão se referindo a crentes. Se um crente se divorcia por incompatibilidade de gênios e se casa novamente, ele cometeu um pecado grave, o de adultério. A igreja que o receber deverá discipliná-lo conforme suas regras internas e compreensão bíblica do caso. Mas no caso daqueles que na ignorância cometeram este terrível ato, de se divorciar sem base bíblica e se recasarem, e se convertem a Cristo, defendo o ponto de vista de que são novas criaturas e a igreja precisa entender que pecados graves antes da conversão, sejam quais forem, o sacrifício de Jesus Cristo tem o poder de sepultar tais pecados para sempre. Então, defendo que devam ter uma nova chance. No caso dos amasiados, eles não são casados ainda. Então, mesmo se convertendo, continuariam em pecado se vivessem como amasiados. No caso dos recasados que se convertem, eles podem continuar casados porque o fizeram na ignorância, e divorciar-se constituiria num outro pecado, já que Deus odeia o divórcio. Mas no caso dos amasiados que se convertem, se eles realmente estão arrependidos, dá para resolver a situação se casando. Infelizmente, há igrejas que os aceitam até para pregarem na igreja, mesmo estando amasiados, sob a escusa de que o Estado reconhece os direitos deles, todavia, isso é um erro, pois o Estado não é a Igreja, e a Bíblia ensina as formalidades necessárias para o reconhecimento da casamento. Resumindo, podemos aceitar divorciados e recados que se convertem, precisamos disciplinar os que já são crentes e estão recasados sem base bíblica depois da conversão e receber os amasiados, crentes ou não, mas dar um tempo para eles legalizarem sua situação.

_____

PERGUNTA – Por que há tantos protestantes e evangélicos, sendo uns até pastores e diáconos, retornando ao Catolicismo Romano?

RESPOSTA CRISTà– Porque essas pessoas cansaram de ver divisões entre nós, e buscam uma organização que não se divide tanto. Os católicos, de uns anos para cá, mudaram também muito sua visão da Bíblia, e estão incentivando seus membros a lerem e aprender mais dela. Sob a liderança de um só líder humano, o Papa, sentem-se mais protegidos, todavia, não consigo compreender como lidam consigo mesmos com as questões teológicas que nos separam, como o culto a Maria, por exemplo. Por outro lado, a Igreja Católica Apostólica Romana tornou-se mais atraente, usando mais a Bíblia, porém mais com uma interpretação social do que teológica.

_____

PERGUNTA – Quando fui batizada na Igreja Adventista do Sétimo dia, precisei antes crer que Ellen Gould White possuía o Espírito de Profecia, e tive ainda que preencher um formulário onde eu confessava quantos livros eu li sobre ela. Meu batismo foi válido?

RESPOSTA CRISTà– Não. Todos aqueles que são batizados em seitas não têm seu batismo reconhecido numa Igreja Cristã. O requisito para o batismo é “arrepender-se de seus pecados”, e este arrependimento é o resultado da ação do Espírito Santo de Deus que convenceu a pessoa a ter fé em Jesus e a se arrepender de seus pecados. (Atos 3:19; João16:8; 3:3) É óbvio que a pessoa deve, ao querer ser batizada numa igreja, ser leal aos ensinos dela, mas se eles não estão em nada em harmonia com a Bíblia, então nem se deveria receber batismo ali. Pense bem: O Espírito de Profecia sempre existiu na história do povo de Deus. Desde que Jesus instituiu a ordenança do batismo, também havia o Espírito de profecia. Mas nem mesmo um discípulo de Jesus exigiu que para ser batizado se confessasse num formulário, ou em forma oral, que este Espírito de profecia estava sobre uma pessoa em especial. Portanto, no caso da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ensinar o batismo sob a condição de se crer numa profetisa com esse Espírito é ir demasiadamente além da Bíblia. Por isso, você precisará ser batizada numa Igreja de Deus.

_____

PERGUNTA – Por que os pastores não se bicam entre eles?

RESPOSTA  CRISTà– Você quer saber por que eles brigam uns com os outros, discutindo questões de doutrina, sendo ciumentos de suas ovelhas, achando suas respectivas igrejas melhores que a do outro pastor, fazendo fofoca uns dos outros, saindo da igreja e fundando a própria, e coisas do tipo? Bem, minha primeira resposta é que somos imperfeitos. Erramos. Os apóstolos e discípulos brigavam entre si. Paulo e Barnabé tiveram um forte acesso de ira. (Atos 15:30) Evódia e Síntique entraram para a história ao terem seus nomes numa das cartas de Paulo, quando ele apela a elas: “Exorto Evódia e Síntique que entrem em acordo no Senhor.” (Filipenses 4:2) Todos pecamos em palavras e ações. (Romanos 3:23) Minha segunda resposta é que apesar de nossa imperfeição, muitos pastores não aprenderam bem o que é ser corpo de Cristo. (1 Coríntios 12:27) Não aprenderam que não deve ‘haver entre nós divisões, e que devemos ser unidos na mesma mentalidade’. (1 Coríntios 1:10) Que as ovelhas sob nossos cuidados não são nossas, mas de Cristo, por isso, a Igreja é uma só. Não aprenderam também a resolver conflitos e conviver com as mazelas alheias, assim como Deus convive com as nossas: “perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. (Mateus 6:12) Não aprenderam ainda que um pastor não é concorrente do outro. Assim, creio eu que iremos ter que dar conta de nossas divisões a Deus. Lembro-me de um pastor que explicou à Igreja: “Não acho certo uma igreja ter mais que um pastor, pois não dá certo, sai muita briga”. Perguntei: “Se ele que é pastor não se dá bem com os outros, o que ele ensina para a Igreja de Cristo? UFC Combate?

_____

PERGUNTA – A Igreja Católica é do Diabo?

RESPOSTA CRISTà– Em primeiro lugar, sua pergunta deveria ter sido: “A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é do diabo?” Isto porque a Igreja Cristã é Católica. A palavra “católica” quer dizer universal. E a Igreja de Jesus é universal, portanto, é católica. O evangelho de Cristo está em toda a terra habitada. (Mateus 28:19, 20; Atos 1:8) Agora vamos à sua pergunta. A ICAR, nos idos do século IV, era uma igreja cristã. Mas aos poucos introduziu heresias em seus dogmas e crenças, como uso de imagens, crença em purgatório, pagamento de promessas, títulos exagerados a Maria, e tantos outros ensinos falsos. Apesar disso, a ICAR ainda defende corretamente ensinos bíblicos, como a Doutrina da Trindade. Os nossos irmãozinhos católicos creem em Jesus. Assim como Jesus convidou as Igrejas da Ásia Menor, repletas de pecados e ensinos absurdos, a se arrependerem, eu creio que Deus usa a Igreja Católica (universal) protestante e evangélica (espero que me entendam) para convidar nossos irmãos católicos a se arrependerem individualmente e como Igreja de seus erros doutrinários, principalmente na questão soteriológica. Jesus ainda não os vomitou de sua boca (Apocalipse 3:15, 16), mas fará isso com toda a igreja que se desviou para heresias e permanecer nela. E eu creio que Cristo um dia fará isso com a ICAR, nem que isso acontecer na sua volta, se ela não se arrepender. Por isso, particularmente, eu creio que na ICAR nem tudo está perdido, e há possibilidade de retorno pleno à fé. Que tal orar pelo Papa, pelo Magistério da ICAR e por seus membros, para que esse retorno ocorra o mais breve possível?

Para os que me criticarem com essa resposta, eu pergunto: Nos dias de Jeremias, o profeta, a religião judaica era de Deus ou do diabo? Óbvio que era de Deus! Mas em Jeremias 5:1 mostra que quase ninguém praticava a verdadeira religião em Israel. Mesmo assim, eram povo de Deus.

_____

PERGUNTA – É correto o ensino de que a morte de Cristo pôs fim à ordenança do batismo? Se não, como entender Hebreus 6:1, onde se diz para pormos de lado o batismo?

RESPOSTA CRISTà– De acordo com o contexto, os leitores da Carta aos Hebreus não haviam crescido no conhecimento da verdade, mas estavam presos aos ensinos básicos da fé cristã. Em vista do tempo, já deviam ser mestres, mas ainda precisavam do leite da Palavra de Deus, ou seja, aprender as coisas elementares, básicas da fé, aquilo que chamamos de alicerce da fé: batismo, arrependimento, fé em Deus, imposição de mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno. (Hebreus 5:12-6:2) Assim, eles deveriam deixar de lado esses ensinos básicos e prosseguir para o aperfeiçoamento, conforme lemos em 6:1b. ‘Deixar de lado’ não significa deixar de crer ou agir assim, senão teríamos que deixar de lado a fé em Deus mencionada e o arrependimento, mencionados em Hebreus 6:2. Significa, então, ‘deixar de lado’ para aprender verdades mais profundas, chamadas em 5:14 de alimento sólido para adultos na fé, que ajudam o crente a distinguir o certo do errado. Agindo assim, aqueles cristãos hebreus não se desviariam da fé de uma vez por todas, mas permaneceriam nela, distinguindo o certo (a doutrina cristã) do errado (a doutrina dos judaizantes).