PERGUNTA – Se Jesus foi ressuscitado com o mesmo corpo, por que nem Maria Madalena o reconheceu (João 20:14), nem os discípulos de Jesus, na estrada de Emaús (Lucas 24:36, 37)?

RESPOSTA CRISTà– Alguns grupos sectários apregoam que Deus deu um sumiço no corpo de Jesus, e que Jesus fora depois dos três dias ressuscitado em espírito. Mas para que ele aparecesse novamente aos discípulos e apóstolos, Deus, o Pai, criou um corpo novo para Jesus*. E as supostas provas para essa crença são os textos de João 20:14 e Lucas 24:36, 37, onde lemos que nem Maria Madalena, nem os discípulos e apóstolos o reconheceram de imediato.

Mas a resposta bíblica e cristã para a pergunta acima é cristalina. Só não vê quem teve os olhos fechados para não perceber. Observe o que diz o relato de Lucas 24:16: “Mas os olhos deles estavam como que fechados, de modo que não o reconheceram. […] Então os olhos deles foram abertos, e o reconheceram; e ele desapareceu de diante deles.”

Os versículos são muito claros. Os olhos deles estavam como que fechados. E quando discerniram que era Jesus, o texto diz que os olhos deles foram abertos. Portanto, o fato de eles não terem reconhecido Jesus, segundo a Bíblia, não se devia a ele ter recebido um novo corpo, já que a Bíblia nada diz a respeito disso. O problema estava com eles! Por quê?

Os olhos deles estarem como que fechados indicava sua falta de fé. O próprio Jesus disse a eles: “Ó tolos que demorais a crer no coração em tudo o que os profetas disseram”. (Lucas 24:25) Além disso, o corpo de Jesus estava glorificado, e evidentemente, com exceção das marcas dos pregos, não continha as expressões de um corpo sofrido. Era um corpo perfeito, com uma aparência diferente, com certeza muito rejuvenescida. Tanto que alguns achavam até que estavam vendo um espírito. (Lucas 24:37) Então, junta-se a falta de fé com o ver um corpo glorificado, pode-se dizer que seus olhos estavam como que fechados, tanto sobrenaturalmente por Deus, como pela falta de fé deles, como pelas circunstâncias de uma aparência glorificada. A maioria dos intérpretes tende a crer que o motivo maior foi a intervenção divina, já que no versículo 31 diz-se que seus olhos foram abertos**; se foram abertos, é porque tinham sido fechados.

No caso de Maria Madalena, pode te sido também por falta de fé, mas acrescenta-se a isso o fato de que ela estava chorando pelo desaparecimento do corpo de Jesus, no momento em que ele aparece a ela (João 20:11-15), de modo que sua decepção também poderia ter atrapalhado o reconhecimento.

Assim, dos motivos alistados acima, todos são bíblicos. Mas afirmar que Jesus materializou-se num corpo parecido, mas diferente, não tem a menor base bíblica. Alguns, no desespero de refutar esta resposta, poderão argumentar: “No antigo sistema de sacrifícios de animais, o corpo do animal sacrificado nunca era devolvido ou reaproveitado, pois isso seria equivalente a anular o sacrifício, então, da mesma forma Jesus não poderia ter dado seu corpo e tê-lo de volta. Bem, nas palavras de Jesus, podia. Pois ele disse: “Dou a minha vida para retomá-la”. (João 10:17) Se dar a vida para retomá-la não anulava o sacrifício, por que dar o seu corpo e tomá-lo de volta anularia? Portanto, muito melhor é crer na ressurreição literal e corporal de Jesus.

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*Veja a pergunta: “Como sabemos que Jesus ressuscitou com o mesmo corpo?”, em Cristologia.

** Quando Deus abre os olhos de alguém, ele passa a ver o que antes não via ou não percebia. Vemos isso quando Eliseu ora para que Deus abra os olhos de seu servo, para que ele não tema o rei da Síria com seu exército numeroso, Deus lhe abre os olhos e o faz ver muitos cavalos e carros de fogo no monte ao redor de Eliseu. – 2 Reis 6:14-17.

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PERGUNTA – Por que Jesus é chamado de “O Verbo (ou a Palavra) de Deus”? – João 1:1.

RESPOSTA CRISTÃ – Em João 1:1, lemos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Conforme o comentarista do Novo Testamento, William Hendriksen,  o vocábulo grego “verbo” para Jesus diz respeito a:

“Uma palavra serve a dois propósitos distintos: a. ela dá expressão aos pensamentos profundos – a alma do ser humano – , e faz com que ninguém esteja presente para ouvir o que é dito, ou ler o que é pensado; e b. ela revela esse pensamento (isto é, a alma de quem fala) aos outros. Cristo é o Verbo (ou a Palavra) de Deus em ambos aspectos: ele expressa ou reflete a mente de Deus e também revela Deus para os homens (1.18; cf. M t 11.27; Hb 1.3).” – Comentário do Novo Testamento – João, p. 111. Cultura Cristã, São Paulo, 2004.

A questão é: Por que e como Jesus Cristo expressa a mente ou reflete a mente de Deus, e revela Deus para os homens? Jesus expressa ou reflete a mente de Deus porque ele mesmo é Deus. Sendo o próprio Deus, ele é “a representação exata” do Ser de Deus, diz Hebreus 1:3. Uma criatura, por mais poderosa que fosse, não poderia ser a representação exata do ser de Deus, devido à infinita distância entre o Criador e sua criatura. “No princípio”, ou seja, desde sempre, Jesus é a representação do Ser de Deus, pois Ele é Deus. 

Por isso, desde a eternidade e na criação, quando Jesus é o meio pelo qual tudo é criado (João 1:3), Jesus é a expressão da Palavra divina. Lemos nos Salmos 33:6: “Os céus foram feitos pela Palavra do Senhor.” Ou seja, foram criados por Jesus! Deus o Pai, pelo poder do Espírito Santo, usa Jesus para criar todas as coisas. Por isso ele é o mesmo Deus que o Pai e o Espírito Santo, já que as Três Pessoas Divinas participam da Criação. 

Através das coisas criadas, as criaturas inteligentes percebem as qualidades divinas de Deus. (Romanos 1:20) Assim, Jesus revela, ou manifesta, quem é Deus ao criar tudo. 

Assim, em termos mais simples, a expressão “Verbo (Palavra) de Deus” significa Deus em ação. A palavra de uma pessoa em ação é a própria pessoa agindo. Por isso que em João 1:1, faz-se questão de afirmar que a Palavra era Deus. – Pr. Fernando Galli.

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PERGUNTA – Quem é Jesus?

RESPOSTA CRISTÃ – Há cinco verdades que não podemos negar ao responder esta pergunta. 1. Jesus é o Deus verdadeiro. (1 João 5:20) Tomé, ao ver Jesus ressuscitado o chamou de meu Deus. (João 20:28) Como Deus, ele é uma das pessoas da Santíssima Trindade, ou seja, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus, mas Deus é um só, em três Pessoas Divinas. Por isso, ‘princípio Jesus é Deus e estava com Deus (o Pai e o Espírito Santo). (João 1:1) 2. Jesus é o único Senhor. (1 Coríntios 8:5, 6) Por ser o único Deus, Jesus é o único Senhor, embora as três Pessoas na Trindade sejam chamadas de “Senhor”. Isabel chamou Jesus de Senhor no ventre de Maria. (Lucas 1:43) 3. Jesus é o Criador, junto ao Pai e ao Espírito Santo, de todas as coisas. Na criação, o Pai usou Jesus para criar todas as coisas. (João 1:3; Colossenses 1:15-18). 4. Jesus é o Salvador. Antes de haver mundo, Deus sabia que o homem pecaria, por isso, proveu a salvação do homem, por meio do sacrifício de um homem justo e sem pecado, Jesus. (Hebreus 4:15) Em nenhum outro nome podemos ser salvos, segundo a Bíblia. (Atos 4:12) 5. Jesus é homem. A Bíblia diz que Jesus (o Verbo de Deus) se fez carne. Depois de sua ressurreição, Ele sobe aos céus em seu corpo ressurrecto e glorificado, assim, ele continua sendo homem. (1 Timóteo 2:5) 6. Jesus é Deus e homem. A Bíblia ensina que Jesus, existindo na forma de Deus (sem deixar de ser Deus) ele assumiu a forma humana, de servo. (Filipenses 2:5-8) Então ele possui duas naturezas, a humana e a divina.

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PERGUNTA – Em Filipenses 2:6, na Bíblia das Testemunhas de Jeová, a Tradução do Novo Mundo, verte o texto como se Jesus não tivesse pensado numa usurpação, ou seja, ser igual a Deus. Mas nossas traduções afirmam que Jesus não se agarrou ao fato de ser Deus ao se fazer homem. Qual tradução e mais correta? 

RESPOSTA CRISTÃ – O próprio texto afirma que Jesus existia na forma de Deus, portanto ele era igual a Deus. Mas ele não considerou  isso, ou não seja, não se apegou a isso, e sem interromper a ação de existir na forma de Deus, assumiu a forma humana, de modo que ele pratica duas ações ao mesmo tempo: Existir na forma de Deus e existir na forma humana. Em grego, “existindo” vem de “hyparchon”. Em Romanos 4:19, lemos que Abraão permaneceu firme na fé (ou não enfraqueceu na fé) TENDO (hyparchon) quase cem anos. Ou seja, enquanto ele tinha quase cem anos (ação A), ele permaneceu firme na fé (ação B). Logo, as duas ações acorreram juntas. Da mesma forma, Jesus existindo (hyparchon) na forma de Deus (ação A) assumiu a forma humana (ação B), de modo que Jesus tinha ao mesmo tempo a forma divina e a humana. Então, ele não deixou de existir na forma de Deus para se tornar humano. Depois, vemos que ele não considerou (hegésato, em grego) a igualdade com Deus, ou seja, ele não considerou a igualdade com Deus, ou não deu importância a isso, mas se humilhou assumindo a forma de servo, de homem.

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PERGUNTA – Se Jesus é Deus, por que disse “o Pai é maior do que eu”? – João 14:28.

RESPOSTA CRISTà– No grego, para a palavra “maior”, Jesus usou “maizõn”. Significa “maior na função ou posição”, não maior na natureza. Na Trindade, há três Pessoas distintas, iguais em natureza, essência e substância divina, mas diferentes em posição. O Filho, na relação intratrinitariana é inferior ao Pai em posição e função. Chamamos de subordinação funcional. Mas isto em nada afeta a divindade una do Pai e do Filho. Só para ilustrar, o Presidente da República é maior que você em posição e função, mas igual a você em natureza humana.

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PERGUNTA – O que é a união hipostática de Jesus? 

RESPOSTA CRISTà– Trata-se do termo teológico usado para designar a união das duas naturezas de Jesus Cristo a partir de sua encarnação. Segundo a Bíblia, Jesus não deixou de ser Deus ao se fazer homem, mas “existindo na forma de Deus […] assumiu a forma humana (Filipenses 2:5-8), isto é, enquanto é Deus, assume a forma humana. Em uma só pessoa divina, a de Jesus, há então duas naturezas, a humana e a divina. Como essas naturezas se comunicam, a Bíblia não nos revela muito, mas há uma perninha da teologia trinitária, que procura explicar dentro da limitação humana, tal comunicação, e dá-se o nome a esta comunicação de communicatio idiomatum.

PERGUNTA – Por que teve que ser Jesus, e não um anjo dos céus, ou uma pessoa boa, exemplar, o sacrifício pelos nossos pecados?

RESPOSTA CRISTà– Porque só Jesus poderia ser o mediador entre Deus e os homens. Quando o homem pecou, ele aumentou terrivelmente a distância entre Criador e criatura. Ele se tornou mortal. (Romanos 5:12) O homem não podia ir até Deus resolver o problema, então Deus, na pessoa de Jesus Cristo, veio até nós resolver a questão. E sem deixar de ser Deus, veio como homem. (Filipenses 2:5-8) Ele tinha as duas naturezas, a divina e a humana. Logo, ele estava à altura, por assim dizer, de ser o mediador entre Deus e os homens. O que é um mediador? Quando lemos em 1 Timóteo 2:5 que há um só mediador entre Deus e os homens, temos a palavra grega para mediador “μεσίτης” (mesítes), que designa uma pessoa que, conhecendo muito bem os dois lados de pessoas em desacordo, põe-se no meio para solucionar o problema. No caso de Jesus, apenas ele sabe o que é ser Deus e ser Homem, ao mesmo tempo. Então, o único que poderia resolver o problema do pecado, nos unindo a Deus, é Jesus, perfeitamente Deus, perfeitamente homem. Um anjo poderia até, pelo poder de Deus, se fazer homem, mas não poderia ser Deus. Um ser humano, poderia ser no máximo um homem, mas não Deus. Assim, só Jesus poderia ser nosso único mediador.